sábado, 8 de outubro de 2011

Segunda aula: a história de Ana e Pedro

No nosso segundo encontro, trabalhamos com algumas cartas da obra Ana e Pedro: cartas, de Vivina de Assis Viana e Ronald Claver. O livro é constituído unicamente por cartas trocadas entre esses dois personagens, que nunca se viram pessoalmente - só conversam através dessas missivas.

Antes de trabalharmos com essas cartas, porém, realizamos uma atividade motivacional, com o intuito de despertar a criatividade das meninas sobre o assunto. Para isso, todas foram convidadas a escrever no quadro uma palavra que descrevesse o que "carta" lhe lembrava, e a colega seguinte deveria partir dessa palavra e escrever outra. Assim:



Depois dessa atividade, as alunas foram convidadas a encontrar na sala envelopes escondidos! Cada envelope continha cinco cartas da obra de Ana e Pedro, e eu os ocultei antes de começarmos a aula. Dessa forma, a curiosidade foi despertada e pude perceber que as meninas gostaram da "busca às cartas".


Também trabalhamos com a música e o clipe de Eduardo e Mônica, da banda Legião Urbana, comparando a história desse casal com a de Ana e Pedro. Além disso, apresentei ao grupo um pequeno panorama das cartas ao longo dos tempos, por meio dos pontos principais da reportagem Um amor por escrito, de Fabrício Carpinejar. E, para finalizar, lemos e discutimos a reportagem Internet e amor: prós e contras, do site Jovem IG.

Através do tema da aula, que envolvia questões como namoro e relacionamentos à distância, as meninas puderam demonstrar o que pensavam a respeito, e isso foi maravilhoso. Vejam o que a Paola escreveu sobre namoro (está de parabéns!):

"Para namorar, tem que conhecer a pessoa, saber os defeitos dela e aceitar para não se arrepender depois [...]. Acho ridículo essas pessoas que se conhecem há dois dias dizendo que se amam, aí o namoro termina em uma semana e um sai falando mal do outro."

Paola, aluna da 8ª série.

A Kimberly também deu sua opinião, quando as perguntas eram: "(1) você escreveria uma carta para uma pessoa que não conhecesse?" e "(2) você responderia uma carta recebida de um estranho?". Ambas as situações ocorreram na obra de Ana e Pedro:

(1) "Eu não escreveria para estranhos, ou melhor, dependendo do momento; se estivesse triste, com vontade de fazer amigos, eu apoiaria."

(2) "Sim, responderia, acharia um pouco maluco, mas seria legal escrever para um amigo que não conhecia."

Kimberly, aluna da 8ª série.

Também temos a contribuição da Emanuele, que pensa o seguinte sobre escrever e receber cartas de pessoas estranhas:

"É uma atitude estranha para desconhecidos, e acredito que eu não teria coragem para tanto, porque não teria como saber como é a pessoa. Eu responderia dependendo do jeito que a pessoa tivesse escrito, se tivesse sido educada... ficaria desconfiada com a atitude, pois não é uma coisa muito normal."

Emanuele, aluna da 8ª série.

Essa aula rendeu muito e a participação das meninas foi nota dez! Todas merecem parabéns! Adorei estar com este grupinho tão querido. Em breve, voltarei aqui para falar da nossa próxima aula, que envolverá mais cartas e produções. Já estou ansiosa!

Um beijo,
Daniele

Primeira aula: o distanciamento entre as pessoas

A primeira aula da nossa oficina ocorreu no dia 30 de setembro. Eu estava ansiosa para estar com o grupo e tinha muitas expectativas. Todas elas, é claro, foram alcançadas!

Inicialmente, para introduzir a nossa temática (as cartas), trabalhamos com uma crônica do Luis Fernando Veríssimo: Grande Edgar. Através dela, foi possível discutirmos a questão do afastamento e da perda de contato entre as pessoas, algo que, infelizmente, é muito comum nos tempos atuais.

Muitas questões de desencadearam a partir dali, e senti que o grupo gostou de falar sobre o tema. Também visualizamos algumas tirinhas de humor relacionadas ao texto e assistimos a dois vídeos. Um deles é uma adaptação da crônica do Veríssimo, que considerei muito bem produzida.

Enfim, o grupo foi questionado: em meio a tanto distanciamento e problemas de comunicação... seria possível que as pessoas mantivessem relações somente por meio da escrita? Quais seriam os melhores meios para isso? Cartas? E-mails?

A partir disso, eis que surge nossa temática, com a qual trabalhamos efetivamente na segunda aula. Logo estarei compartilhando mais detalhes sobre esse encontro!

E vocês, meninas, o que acharam da nossa primeira aula? Deixem seu comentário! =)

Um grande abraço,
Daniele

A OFICINA

A oficina literária A Literatura através das Cartas, que apresentarei neste blog, faz parte do meu quarto estágio em Letras, curso que, por sinal, já estou finalizando. Essa oficina tem por alunas um grupo de adolescentes de 14 e 15 anos, as quais, como já notei, são muito inteligentes, criativas e dedicadas!

A decisão de criar este espaço se deu através do intuito de valorizar o trabalho que vem sendo realizado com essas meninas e, ainda, de mostrar um pouco do mundo fascinante do qual faz parte a literatura. Tudo isso, como o título da oficina já revela, através de cartas.

Não deixe de acompanhar o blog e conferir de perto esta experiência que, para mim, está sendo maravilhosa!

Um grande abraço,
Daniele